Das partes para o todo

Como disse sabiamente o Mestre Jot@SM, “Não se é submissa simplesmente. Se é submissa DE ALGUÉM”. Na minha opinião, o mesmo é válido para o outro lado do chicote, ou seja, não se é DONO simplesmente. Se é DONO de alguém. Um Dominador não é completo sem uma submissa. Quem pensa o contrário, está enganado, no meu entender. Não se vive o sadomasoquismo sem estes dois importantes elementos: Dono e peça. Até se encontrarem, são dois seres incompletos.

Andam filosofando demais sobre o BDSM e, com isso, tentam modificar algumas de suas características fundamentais que deveriam ser sempre respeitadas. E uma delas refere-se ao fato de que cada relação é única e, por isso, apenas aqueles que estão envolvidos sabem o que é melhor para si.

Trocando em muídos: eu sei o que é melhor para mim e para aquela que está comigo. Se estou respeitando o SSC, ninguém tem que dar “pitacos”. Por exemplo, eu acredito que o relacionamento SM deve estar presente em todas as esferas das vidas dos envolvidos, sei que outros praticantes não pensam e nem vivem uma relação SM dessa forma e todos estão bem com isso. Quem está certo e quem está errado? Se as pessoas que pensam de forma diferente não intromentem na vida um do outro, ninguém está errado. Errado é dizer ao outro como tem que sentir e viver o seu prazer.

Estão tentando transformar o BDSM em algo celestial, praticamente impossível de ser praticado ou que apenas alguns poucos felizardos têm o privilégio de vivenciar. Besteira. O BDSM não é essa “religião” inalcancável que muitos insistem em dizer que existe. Para mim, tudo é muito mais simples do que se possa imaginar. Claro que possuo minhas limitações, afinal ainda não sou um super-homem. E qual é o ser humano que não tem? A cada dia consigo superá-las, me aprimoro e me torno um Dominador melhor.

Os limites superados, os desejos e prazeres realizados, esses sim, são os objetivos de uma relação calcada no BDSM. E, acima de tudo, respeitar aquela/aquele que está contigo nessa jornada. Relacionamentos podem acabar, isso é algo que pode acontecer, mas mesmo assim, crescemos e nos tornamos pessoas melhores. Estou longe de me tornar um ditador de regras e comportamentos, para falar a verdade, eu jamais vou me tornar uma pessoa assim.

Não seja uma “subnazi” ou um Dominador recalcado que tenta passar para os outros as suas frustrações dizendo é bom demais e que sabe demais. Gostam de palpitar demais e viver uma relação de real de menos. E sabe por que digo que não vivem uma relação real? Porque quem vive o BDSM verdadeiramente não tem tempo de ficar palpitando na vida dos outros.

LuciusGhostwish

Prazer mútuo: o objetivo de uma relação no BDSM

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Apesar de alguns colocarem o BDSM como algo quase que inatingível, onde apenas alguns poucos privilegiados conseguem vivenciá-lo, defendo a idéia de que para concretizar esta relação (Dom/sub), neste universo que é totalmente diferente do baunilha em muitos aspectos, a princípio temos que ser verdadeiros com nós mesmos e com aqueles com os quais compartilhamos os nossos desejos e prazeres.

Existem os papeis que cada um deve respeitar e tal premissa é irrevogável. Cada um no seu quadrado como diria aquela famosa música. Dono manda, submissa obedece. Pode até parecer ruge essa expressão para algumas pessoas mais sensíveis (não acho e gosto dela), mas é verdadeira e que sintetiza bem os papeis dentro do BDSM.

Entretanto, isso não impede que haja diálogo e momentos de reflexão entre os envolvidos. Por exemplo, não é porque eu mando e sendo a última palavra a minha, não me impede de deixar a submissa se expressar, dizendo o que pensa. Irei ouvi-la, respeitando a sua visão e opinião, mas ela estará ciente que a decisão final será minha.

Decisões são baseadas naquilo que você assimila por meio da observação e do que está a sua volta. Você observa, digere e após refletir a respeito, chega as suas conclusões. Agindo assim, o Dom evitará que cometa erros ou até mesmo que seja injusto.

O Dono também aprende com sua submissa. Ninguém consegue se aperfeiçoar, se superar e até mesmo evoluir, sem que ouça o que o outro tem a dizer. E mesmo havendo a hierarquia, citada em destaque lá em cima, que não deve ser questionada, se existe respeito, tudo é válido. E isso, é que torna o BDSM mais rico.

O Dono tem que dar prazer para a sua submissa, não importando o meio que utilize para isso. Pode ser através do sadismo (o que gosto!) ou através de qualquer outra prática que queira usar, pois a criatividade em retirar prazer dos mais inóspitos elementos é que torna o Dom melhor.

As mesmas “obrigações” são aplicadas a submissa, ou seja, ela deve também proporcionar prazer ao Dono. Por meio da submissão a Ele, que é convertida em obediência, superação de limites ligados à dor ou qualquer outro artifício existente entre Eles, ela dará o seu melhor ao Dono. Sendo assim, Ele terá orgulho da peça que possui. E mais que orgulho, Ele terá muito prazer com a relação.

Lembro-me de ler em algum lugar, o relato de uma submissa dizendo que o Dono dava pouco, praticamente quase nada para ela, e isso a deixava frustrada como submissa, pois apesar de fazer tudo que haviam combinado no período da negociação e saber que o mesmo sentia-se satisfeito com ela, não entendia o motivo de tanta indiferença. Não sei o rumo que esta relação tomou, mas baseado no que já aprendi, digo que se não conversaram e resolveram essas arrestas, é bem provável que a coleira tenha sido devolvida.

Não vivemos mais no tempo em que proporcionar prazer ao parceiro era uma tarefa exclusiva da submissa. Nesta época remota, a submissa só sentia prazer quando o Dono, por ser uma pessoa extremamente generosa, permitia. Hoje, depois do SSC, o mais importante numa relação BDSM é a satisfação mútua. É ingenuidade por parte de qualquer Dom pensar deve se preocupar apenas com o seu libido. Se acreditar isso, será um forte candidato a ficar sozinho. O BDSM é uma via de mão dupla. Existem dois indivíduos que “trabalham” para dar o melhor de um para o outro. Isso é inquestionável.

É responsabilidade do Dom fazer com que a submissão de sua peça não escorregue entre seus dedos, pois se isso acontecer Ele não a terá novamente. Para um Dom não existe nada que seja melhor que a sua submissa. Acima dela, apenas Ele. Tendo isso em mente, cabe a Ele cuidar, proteger, orientar, alimentar e principalmente, amar a sua submissa.

LuciusGhostwish

Eu sou o mundo

cadela

Eu sou o tempo que apaga
Sou a alma devota
O corpo selvagem
O amor que devora.
Sou sentimentos incertos
palavras secretas,
Sou o medo escondido
A fé reprimida.

Sou a vida derrotada
A morte sossegada,
Sou a fome e a seca
De um mundo sem rumo

Sou a música que toca
A sinfonia melódica
Sou o sofrimento ferido
O coração dividido, a esperança esquecida.

Eu… Eu sou os olhos do mundo
Porque dele não há refúgio.

(Autor desconhecido)

Ter uma escrava


Ter uma escrava é diferente de possuir qualquer outra coisa. Uma escrava combina as melhores qualidades de um objeto não se mexe, não reclama, não faz perguntas) com o melhor de um ser humano (dedicação, capacidade de aprendizagem, vontade de evoluir).

Uma escrava muda quando o Dono quer que mude e permanece quando o Dono quer que permaneça. Uma escrava vem correndo quando o Dono chama e sai mais do que depressa quando o Dono manda. Sem mais nem menos.

E, se possuir alguém que não quer ser possuído é sinônimo de abuso, despotismo, opressão, possuir uma escrava significa saber aceitar uma dádiva e usufruir dela com prazer, como e quando muito bem entender.

Histoire d’eau

Teus seios e o Meu sadismo

Teus seios… quando os sinto, quando os beijo
na ânsia febril de amante incontestado,
- são pólos recebendo o meu desejo,
nos momentos sublimes de pecado…

E às manhãs… quando acaso, entre lençóis
das roupagens do leito, saltam nus,
- lembram, não sei, dois lindos girassóis
fugindo à sombra e procurando a luz!…

Florações róseas de uma carne em flor
que se ostenta a tremer em dois botões
- na primavera ardente de um amor
que vive para as nossas sensações…

Túmidos… cheios… palpitantes, como
dois bagos do teu corpo de sereia,
- tem um rubro botão em cada pomo
como duas cerejas sobre a areia…

Quando os tenho nas mãos… Quantas delícias!..
Arrepiam-se, trêmulos , sensuais,
e ao contato nervoso das carícias
tocam-me o peito como dois punhais!..

Meu lúbrico prazer sempre consolo
na carne destas ondas revoltadas,
- que são como taças emborcadas
no moreno inebriante do teu colo…

Teus seios… são as fontes onde os loucos,
saciar a sede, tentam, da paixão,
- sede que mata e que sufoca aos poucos…

Teus seios!… Nada existe que os encarne!..
- São divinos pecados da Criação,
são dois poemas de amor feitos de carne!..

Poema de JG de Araujo Jorge

Aceite

Desde o instante que se ajoelhou e disse “sou Sua, Senhor. Faça comigo o que desejar”, não me tornei apenas o Dono do seu corpo, dos seus desejos e dos seus medos, me transformei no Senhor da sua alma. Algumas partes do seu corpo como, por exemplo, a boca, os olhos, os seios, a barriga, a buceta e a bunda me pertencem. Farei com eles o que quiser, da forma que quiser, quando quiser e durante o tempo que quiser. O sorriso, o olhar, o choro, a alegria e também a respiração que te mantém viva são de minha propriedade.

Entenda que a partir do momento que te encolerei, o pronome “meu” está extinto do seu vocabulário. Você não tem mais direito a ele, e, por não ter tal direito, não aceitarei sob qualquer hipótese que seja, manifestações contrárias. Você é o que eu quero que seja e terá apenas aquilo que eu determinar que tenha.

Uma submissa encoleirada não tem posses. Não é dona do seu corpo e nem do seu prazer, pois o momento do gozo é determinado pelo seu Dono. Por isso, enquanto estiver portando minha coleira, terá que observar muito bem o que faz e o que fala, pois o seu prazer dependerá de tuas atitudes. Lembre-se que até mesmo as palavras que saem da sua boca me pertencem e, por isso, terá uma responsabilidade maior ao se expressar, caso contrário, se eu não gostar, você será castigada.

Terá que aceitar a dor, pois ela irá fazer parte da sua vida. O seu sofrimento e o seu prazer estarão intimamente ligados a ela. O que irá separar momentos dolorosos de momentos de prazer será a sua dedicação e obediência as minhas vontades/ordens. Se for uma boa menina sentirá apenas prazer. Um intenso e imenso prazer que jamais sentiu na vida, mesmo que seja em momentos de torturas. Você irá gozar como nunca.

Quanto ao sofrimento que irei provocar caso me desobedeça, prefiro deixar para o momento do castigo, assim não estragarei a surpresa. Mas adianto em dizer que, caso venha querer experimentar a desobediência, irá se arrepender profundamente. Súplicas, juramentos e tudo mais serão ignorados. Só irei parar de castigá-la, quando achar que lição dada foi aprendida. E Eu sou um Dominador que leva muito tempo para ser convencido.

Faça tudo para honrar a minha coleira. Faça-me ter orgulho de ti para dizer “esta é a minha cadela” e não terá apenas um Dono sádico que a use apenas para realizar os seus desejos mais obscenos. Estará sempre contigo um Homem que irá te orientar, te ajudar, que te dará colo e também a protegerá.

LuciusGhostwish